Obras de Cildo Meireles,Tunga, Hélio Oiticica em meio a palmeiras e jardins colocaram a cidade de Brumadinho no mapa turístico mundial. Ao juntar a vanguarda das artes plásticas e promoção da biodiversidade, o Inhotim firma-se como polo vivo e desenvolvedor de todo o Vale do Paraopeba, região a 60 Km da capital do Estado.
Cerca de 800 pessoas passeiam diariamente seus 400 hectares, num total de 15 mil visitantes/mês. A maior parte vem da região metropolitana. No entanto, é constante a presença de estrangeiros, que vieram exclusivamente ao Brasil para conhecer o instituto. "O Inhotim é o único no mundo a juntar dessa forma arte e natureza, colocando as obras em diálogo total com o espaço", destaca Elisa Vignolo, gerente de relacionamento com o visitante.
Arte na mata
São treze galerias dedicadas a trabalhos permanentes, outras quatro para mostras temporárias e 17 grandes obras de arte espalhadas em um espaço em constante transformação. A última organização do acervo foi em setembro, com a reformulação das temporárias e lançamento de novas aquisições dos artistas Miguel Rio Branco e Neville D'Almeida e do pavilhão para exibição completa da obra Cosmococas, de Helio Oiticica. "Quem vê de fora não percebe que existem cinco salas e quatro entradas no prédio. A visitação é totalmente livre e propositalmente confusa", explica Alexandre Brasil, um dos arquitetos da nova construção.
Ao mesmo tempo em que é uma grande galeria a céu aberto, o Inhotim é um Jardim Botânico com mais de 4.500 espécies catalogadas. Com elas, o instituto faz tanto ciência quanto arte, seja em estudos botânicos, ou em jardins encomendados como o Palm Pavilion, do paisagista Rirkrit Tiravanija. Feito inicialmente para a 27ª Bienal de São Paulo, a obra foi remontada em Brumadinho com 130 palmeiras de tamanhos, cores e espécies diferentes. Ao todo, a instituição mantém 1.300 espécies dessa planta, uma das maiores coleções da América Latina. Além delas, imbés, antúrios, copos-de-leite, e orquídeas são outras coleções em destaque.
Com tanta natureza e arte são necessários três dias para visitação completa. Mas em um dia, garante Elisa, é possível ter uma boa visão do local. O espaço conta ainda com o Centro de Educação e Cultura Burle Marx, onde acontecem regularmente peças de teatro e shows. Intrépida Trupe, grupo Galpão e Orquestra Filarmônica de MG são algumas das companhias que se apresentaram nos últimos meses. Para se alimentar, nada menos do que seis opções, como o restaurante Oiticica, o Bar do Ganso, localizado ao lado do lago, além de uma omeleteria e lanchonete para pratos rápidos.
Um vale de opções
Para os belo-horizontinos, Brumadinho era sinônimo de chácaras e acampamentos de jovens hippies nos anos 1960. No entanto, tudo se transformou quando Bernardo Paz, empresário e investidor no mercado de arte, escolheu a cidade para dispor seu acervo ao público em 2004. Obras e instalações de artistas nacionais e internacionais ganharam espaço em meio ao verde do bioma, uma de mata de transição, num projeto expositivo inovador. Surgia o Inhotim.
Ao contrário de outros polos que mantêm seus investimentos e riquezas restritos em meio a uma realidade empobrecida, o Inhotim aposta no desenvolvimento local. "Ao nos instalarmos em Brumadinho, firmamos um compromisso com a região, buscando meios de fazer o entorno crescer junto com a instituição", afirma Elisa Vignolo.
Os funcionários são provenientes da cidade e região e recebem treinamento e qualificação em atendimento ao turista, arte e botânica. Além da inclusão, o instituto incentiva a população a investir no setor, desenvolvendo parcerias e estimulando o empreendedorismo. Há várias pousadas e restaurantes em funcionamento, e até 2012 é prevista a inauguração de um hotel dentro do Inhotim. Operadoras de turismo oferecem diversos pacotes entre R$400 e R$ 900, com diferentes programações, permitindo o visitante aproveitar e vivenciar um verdadeiro resumo do Estado.
Amantes do ecoturismo e turismo de aventura podem aproveitar todo o tipo de trilhas, escaladas, rios, além da pista de voo livre da Serra da Moeda, com pistas a 170 e 580 metros de altura.
Quem preferir um clima mais rural, pode conhecer algumas das diversas fazendas locais, com estrutura completa para atividades equestres.
Já na vizinha Casa Branca, trilhas e escaladas em ambiente seguro e passeios em tirolesa e arvorismo no Espaço Verdes Folhas. Outro programa é a observação privilegiada da fauna, com aves como o gavião e a maritaca, além da presença dos pica-paus e corujas.
A história colonial também deixou suas marcas na região. O distrito de Piedade de Paraopeba conserva hábitos religiosos tradicionais, como a série de capelas com os passos de Nossa Senhora na Via Crucis e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, de 1713.
No distrito de São José do Paraopeba, o quilombola do Sapé manteve-se isolado das regiões vizinhas até meados do século XX, preservando seus costumes e troncos raciais através de casamentos entre parentes e da vida em comunidade, formada atualmente por 200 habitantes. Na cidade de Moeda, a Casa de pedra, uma ruína da maior fábrica clandestina de moedas de ouro do Brasil Colônia, é outra atração histórica da região.
A gastronomia mineira não poderia ficar de fora, com diversas opções de restaurantes e cafés de fazenda no entorno. As destilarias da Fazenda Boa Vitória e Pedra do Cedro apresentam o método mais antigo de preparo da bebida oficial do Brasil, a cachaça, proporcionando uma visita que mistura história e sabor em pleno coração das Gerais.
Serviço:
Inhotim
Horário de visitação:
Quartas, quintas e sextas-feiras, das 9h30 às 16h30
Sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30
Entrada: R$ 16 (Meia-entrada válida para estudantes identificados e maiores de 60 anos). Crianças de até cinco anos não pagam.
Site: www.inhotim.org.br
HT Operadora e Receptivo de Turismo
(empresa pioneira na promoção dos roteiros do Vale do Paraopeba)
Tel: (31) 3231-8896 / 9862-1216
Site: www.portaldebrumadinho.com.br
Fonte : http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Viagem/Noticia/No_coracao_das_Gerais.aspx?ID=68376
Autor : Por Bruno Cesar Dias


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